A Educação de Jovens e Adultos no Brasil e a Influência de Paulo Freire

Bem vindo ao Blog de discussão sobre Paulo Freire e a EJA no Brasil.

Esse blog foi criado no contexto das aulas de Temas Fundamentais das Ciências da Educação do curso de Pedagogia Noturno na UFMG no primeiro semestre de 2010, com o objetivo de compreendermos a influência desse educador nas práticas educacionais de EJA no Brasil e no uso de tecnologias como recurso didático na EJA, particularmente na região metropolitana de Belo Horizonte.

A importância do ato de ler

RESENHA

O livro A Importância do Ato de Ler de Paulo Freire é composto de três breves artigos sobre a alfabetização e a título de ilustração o autor utiliza seu exemplo pessoal. Sua experiência, na infância, demonstra a importância da leitura do mundo que antecede o aprendizado da leitura da palavra.


“A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me movia – e até onde não sou traído pela memória –, me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, re-crio, e re-vivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra” (FREIRE, p.12).

Para Freire a leitura do seu mundo foi fundamental para a compreensão do ato de ler, de escrever ou reescrevê-lo, e transformá-lo numa prática consciente. Pois, ler não se esgota na decodificação somente da palavra ou da linguagem escrita, “mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo” (FREIRE, p. 11).

O livro, também, relata os aspectos da biblioteca popular e a relação com a alfabetização de adultos desenvolvida pelo autor e sua equipe na República Democrática de São Tomé e Príncipe.

Freire afirma que a biblioteca popular precisa ser o centro cultural e não um arquivo silencioso de livros. É importante que ela tenha a funcionalidade de estabelecer o aperfeiçoamento e a intensificação da forma correta da leitura do texto considerando o contexto do leitor.

“A forma como atua uma biblioteca popular, a constituição do seu acervo, as atividades que podem ser desenvolvidas no seu interior, e partir dela, tudo isso, indiscutivelmente tem que ver com técnicas, métodos, processos, previsões orçamentárias, pessoal auxiliar, mas, sobretudo, tudo isso tem que ver com uma certa política cultural” (FREIRE, p.35).

Ao mesmo tempo o autor demonstra os aspectos centrais do processo de alfabetização que precisam ser derivados da dimensão vocabular do educando, carregada de suas vivências, e não da experiência do educador. Com isso, propõe-se uma educação crítica em que o educando é o sujeito desse processo. Para o autor “a alfabetização é a criação ou a montagem da expressão escrita da expressão oral. Esta montagem não pode ser feita pelo educador para ou sobre o alfabetizando” (FREIRE, p.19).

Dessa forma foi proposta a alfabetização em São Tomé e Príncipe, sociedades recém independentes do “jugo colonial”. Estas contavam com o apoio governamental que favorecia a reconstrução do país através  da conscientização das dificuldades, pelo seu povo, a fim de superá-las. Para Freire essa aprovação era de suma importância, pois o contrário seria a manipulação mecânica do ato de ler sem desenvolver a compreensão da prática democrática e crítica da “leitura do mundo” e da “palavra”; seria uma leitura memorizada mecanicamente sem desafios que ajude a pensar e analisar a realidade dos educandos (FREIRE, p.41).

Contudo, o livro remete os educadores a uma importante reflexão sobre o processo educativo, pois é relevante inserir o educando nesse processo ativamente. E é importante que o alfabetizando assuma a responsabilidade, persistência e “atitude séria” de estudar que de acordo com Freire:

“Em qualquer caso, o estudo exige sempre esta atitude séria e curiosa na procura de compreender as coisas e os fatos que observamos. Um texto para ser lido é um texto para ser estudado. Um texto para ser estudado é um texto para ser interpretado. Não podemos interpretar um texto se o lemos sem atenção, sem curiosidade...;”(FREIRE, p.59).

Diante disso, para o autor o que precisamos fazer, enquanto educadoras e educadores, é aclarar assumindo a nossa opção política e ser coerentes com nossa prática, a fim de propor uma educação que não reproduza a ideologia dominante e estimule o exercício da “atividade crítica” (FREIRE, p.44).

Link de acesso a outro resumos:

http://www.sul-sc.com.br/afolha/monografia/resenha_ato_ler.htm


Referência bibliográfica:

FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam. 32 ed. São Paulo: Cortez, 1996 – Coleção Questões de Nossa Época; v.13




(Publicado por Maria Aparecida de Moura – Graduanda em Pedagogia UFMG)



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